Escrito por Ricardo de Castro Barbosa    Qui, 28 de Abril de 2011 00:35    Imprimir
SOA+Cloud Symposium - 27/04/2011

Notícias sobre o SOA + Cloud Symposium

Brasília, 27 de Abril de 2011 

A primeira palestra foi de Simone Bruzoni, italiano, da Amazon, que falou sobre Cloud Computing. Pontos a destacar:
·        Comparou a Indústria automobilística com TI. Na indústria automobilística todos componentes são projetados para ter reuso, diminuindo custos e acelerando o lançamento de novos modelos. Em TI ainda construímos sistemas para finalidade específicas, criando muitas redundâncias. (Eu, particularmente, gosto e uso esta analogia)

·        Cloud Computing traz a possibilidade de utilizarmos infraestrutura e serviços já prontos, com enormes ganhos de escala.

·        Não devemos tentar fugir de Cloud Computing. Nosso concorrente pode se utilizar disto e se beneficiar com seus ganhos.Palavras finais: “1. Act now! 2. Respect your limits. Use it where it makes sense”.                  (twitter: @simon)

Thomas Erl, canadense, lançou seu livro SOA Governance, falou sobre “Governing shared services on premise and in cloud”. Discorreu sobre os Building Blocks:

·        Preceitos – Regras, Padrões, Regulamentações, etc. que devem ser seguidas. Uma das decisões importantes neste tópico é a definição do escopo do(s) inventário(s) de serviços.

·        Processos – Para coordenar as tomadas de decisão com relação aos preceitos. Um dos processos novos é o SOA Governance Vitality Process, para garantir que o serviço mantenha suas características iniciais ao longo do tempo. Triggers são armados para informar qualquer anormalidade ou tendência indesejável.

·        Pessoas – Devem assumir papéis e tomar as decisões. Existem muitos perfis novos, como por exemplo: SOA Governance Specialist.

·        Métricas – Para medir a conformidade aos preceitos.

Ressaltando a importância de Governança SOA, Thomas falou do SGPO, que significa SOA Governance Program Office.Pela amostra o livro promete.

Em seguida fui assistir à palestra do belga Jean-Paul De Baets, da Fedict, que mostrou um projeto de redução de 56 dias para 3 dias para abrir uma empresa na Bélgica. (Na Bélgica, claro!). Este projeto de BPM/SOA teve que envolver a federação dos cartórios belgas , o Ministério da Economia, o Ministério da Justiça, o Diário Oficial deles, entre outros. Imaginem o grau de dificuldade! Os objetivos do projeto: 1 - Reduzir o tempo para abertura de uma nova empresa; 2 - Simplificar a administração; 3 - Atender à diretriz do mercado europeu de expor on line a situação das empresas.

Pois bem, o projeto começou com a melhoria dos processos e a construção de uma grande fachada (serviços), enquanto os sistemas da retaguarda, particulares de cada entidade envolvida, permaneciam os mesmos. É claro que modificações nos aplicativos de cada entidade derrubava o processo, exigindo um grande esforço de back office. Mas foi um esforço válido, que mostrou a todos as possibilidades de ganho, incluindo ganhos políticos. Chamaram de SOA, mesmo sabendo que ainda não tinham chegado lá.

Na segunda fase, cada entidade se dispôs a se comunicar via serviços, desacoplados, portanto, das respectivas implementações. Agora sim, chamaram de SOA.

Conversei com ele depois da palestra. Perguntei, brincando, como é que eles faziam para abrir uma empresa em 56 dias, o que já estaria bom para nós. 

Neste ponto do evento percebi que assisti a palestras de um canadense, um italiano e um belga. Ou seja, o mundo já esta com o pé na estrada SOA! 

Ricardo Puttini, da UnB, deu uma amostra de como está SOA no Brasil, com a palestra: “SOA Adoption in Brazilian Institutions: How is it going?”. Digo uma amostra porque o levantamento ainda está sendo concluído. Em todo caso, alguns números interessantes:

·        O Brasil já é o 3º país em volume de negócios de TI.

·        No mundo: Sobre gastos com SOA, praticamente ¼ é em tecnologia, ¼ com governança, ¼ em aspectos organizacionais e ¼ em educação e treinamento.

·        Quase 70% dos entrevistados apontam como maior desafio de SOA o entendimento de SOA e os recursos para sua implementação.

·        40% das empresas brasileiras entrevistadas estão avaliando/planejando SOA, e 20% já estão executando um piloto.

·        82% encontram dificuldade em identificar a tecnologia adequada e a granularidade dos serviços. (A questão de identificação dos serviços é crucial).

Acho que é um pouco cedo para conclusões. Mas ficou claro que estamos atrasados em relação ao resto do mundo. Porém, estamos nos movendo!

Quem quiser dar uma espiada nas questões do levantamento:

-(www.redes.unb.br/soa) para empresas que já adotam SOA (34 questões)

-(www.redes.unb.br/soa_simples) para empresas que estão planejando adotar SOA (13 questões)

A última sessão que assisti foi um bate-bola sobre o SOA Manifesto, com pessoas que participaram da sua elaboração. E quem estava lá? Anne Thomas Manes, do Gartner. Lembram do blog “SOA is dead”? Ela mesmo! Pois bem, ela é brilhante! Participou e respondeu às questões de forma brilhante. Ela explicou o que motivou o artigo, escrito há 2 ½  anos: o pessoal estava vendendo/aplicando SOA como tecnologia, o que realmente mata o conceito. Depois vieram as dificuldades de adoção de qualquer novidade, devido à recessão. O SOA Manifesto, que teve participação dela, redirecionou SOA para arquitetura e negócios, dando uma nova vida a SOA. Ricardo Puttini acrescentou que a tecnologia também colaborou, pois hoje tem mais maturidade.

Outras considerações importantes foram feitas, englobando análise e design, integração (interoperabilidade) X arquitetura, estratégias de implantação, pontos de falha, water fall X agile, mas a tinta está acabando.

Boa noite a todos,

Ricardo.

Última atualização ( Qui, 28 de Abril de 2011 00:56 )